segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Olá, pessoas. As aulas tiveram início no dia 12 de setembro, uma semana antes dos calouros, pois eles começaram nesta segunda-feira...

Olá, pessoas.

As aulas tiveram início no dia 12 de setembro, uma semana antes dos calouros, pois eles começaram nesta segunda-feira. Nós do PLI – UFTM estamos cursando cinco disciplinas em turmas diferentes, portanto somos “veteranos” aqui. Acredito que com as fotos anteriores vocês conseguiram ter uma ideia do tamanho da universidade. A Universidade de Aveiro é bem grande, há diversos cursos, alguns refeitórios e diversas cantinas, creio que cada departamento tenha os seus refeitórios e cantinas.

O nosso SISCAD se chama PACO – Portal Acadêmico On Line e é por meio dele que nós conseguimos saber sobre as disciplinas e tudo que envolve as atividades acadêmicas.  Segue o link, caso alguém tenha curiosidade e queira dar uma olhadinha: https://paco.ua.pt/. Para qualquer atividade no PACO precisamos entrar no sistema com o nosso e-mail institucional e a senha que criamos ao nos matricular.

A Universidade de Aveiro disponibiliza uma aplicação, como eles falam aqui, para que os alunos possam pesquisar as informações sobre a Universidade. O UAmobile é um app muito útil, ao baixá-lo temos que entrar com o nosso e-mail institucional e a senha, e em seguida o app nos mostra um quadro com várias opções. Nele podemos conversar entre nós, como um chat, saber sobre os anúncios e eventos que acontecem na universidade, nossas unidades curriculares, horário, datas, procurar salas, saber o cardápio do RU – Restaurante Universitário, entre outras coisas.

Eu estou cursando cinco disciplinas que estão distribuídas nas manhãs e tardes, de segunda à sexta-feira. As salas de aulas são bem amplas e somos dispostos na sala dependendo da matéria. Por exemplo, na aula de Linguística textual e Literatura Infanto-juvenil temos uma mesa que é dividida por dois colegas, na aula de espanhol III é como na UFTM, uma cadeira com uma mesa acoplada e na aula de Literatura III sentamos em círculo. Ainda não tive Língua Portuguesa I, pois como se trata de uma disciplina do primeiro período, terá início somente na quarta-feira. Os alunos são bem participativos, se oferecem para ler e interagem muito com a professora e os colegas. O trabalho desenvolvido pelo professor oferece, alternadamente, exercícios individuais e em grupo.
As aulas de Espanhol III são divertidas, pois todos falamos em espanhol, produzimos pequenos textos e a gramática é apresentada com diversos exercícios, parece que ninguém tem vergonha de errar, pois respondem a todas as perguntas da professora, sendo essas respostas certas ou não.

A manhã na universidade é muito bonita, nessa época do ano enquanto o frio não chega, o sol nasce esplendoroso, parece abraçar a universidade inteira, o céu azul e o vento constante fazem com que você agradeça por essa vista tão animadora. Na hora do almoço, por volta do meio dia, eu sempre almoço no RU e pago 2,55 euros. Aqui não existe a “Casa do Xérox”, pois é no moodle que são disponibilizados os nossos textos e slides. É bem simples, você entra na sua página, escolhe a disciplina que queira fazer o download e imprime. Todos os professores enviam à ferramenta seus materiais e o preço da impressão é igual ao da cópia, algo em torno de 5 “centavos”, mas se você quiser imprimir em outro lugar é só salvar no pen drive e buscar uma opção mais barata.

A biblioteca é imensa, uma porta larga e uma parede de vidro te recepcionam, acima uma mensagem bem clara solicita silêncio. Por todo o campus a internet pega, na biblioteca há tomadas nas mesas e, sobre elas, lâmpadas para melhorar a iluminação, se for preciso.

Nessa semana pude observar algumas coisas interessantes. A primeira delas foi o café. Quando você vai até a cantina pedir um, eles fazem e colocam em uma xícara pequena só um cafezinho, e eu sempre fico com aquela cara: Poxa, só esse “tiquinho”? Descobri ontem que tenho que pedir café longo, a partir de hoje só peço assim.
Outra coisa é a maneira como falam. "Santinha" é "saúde" após espirrar, "força", serve como um "faça", "entre na sala", "fixe" é "legal", "gira" é "bonita", imagine a frase: "Olha lá, aquela bomba bonita" aqui seria: "Olha lá, aquela bomba gira". Ah, e sem falar no uso do verbo perceber substituindo o entender, pois não percebi, é o nosso não entendi, isso é natural por aqui. Eu sempre "bugo", mas já estou me acostumando a perceber. Ainda sobre a maneira de falar, eles quase nunca usam o gerúndio para a ação que está acontecendo, sempre é A + verbo. Eu digo: Estou estudando, estou lendo, estou caminhando, eles dizem: Estou a estudar, estou a ler, estou a caminhar.

Sobre acessibilidade, no que pude observar nessa semana é que a universidade tem rampas de acesso e eu vi, até agora, apenas dois alunos com necessidades especiais, uma cadeirante e um menino com muletas, ambos, parecem conseguir se locomover sem grandes dificuldades. Não há alunos com necessidades especiais na minha classe e as monitorias, aqui tutorias, são dadas pelos professores após agendarmos um horário durante a semana.

A universidade oferece muitos cursos extracurriculares, há aulas de idiomas, esportes e até ioga. Tem também a Tuna Universitária de Aveiro, ainda não sei muito sobre ela. Pelo que entendi do que a professora disse, é uma reunião de universitários que cantam em um coral, tocam instrumentos, dançam com acrobacias e se encontram para ensaiar e conversar. Vou tentar ir em uma dessas reuniões e na próxima vez eu conto como foi.

Bom, acredito que seja isso, uma primeira semana de aulas bem motivadora para um desafio de estudos e disciplina. Convido você a perguntar algo que tenha curiosidade, afinal este texto não abrange tudo, apenas uma visão superficial e até limitada dessa grande semana.


Até a próxima, pessoal!

domingo, 11 de setembro de 2016

Hoje é domingo. Estou em Aveiro e há uma névoa que cobre a cidade e nos faz andar pelo sol nos esquivando da sombra fria. Geralmente as...


Hoje é domingo. Estou em Aveiro e há uma névoa que cobre a cidade e nos faz andar pelo sol nos esquivando da sombra fria. Geralmente as manhãs são assim.

A semana foi intensa, pois convivi com mais colegas e caminhamos muito. Essa semana pude conhecer mais os três chineses que dividimos a moradia, são pessoas muito simpáticas, sorridentes, gentis.  Oferecem a sua comida, olham para você enquanto você fala e balançam a cabeça no sim, enfim, estou muito feliz de poder conviver com essa nova cultura.

Conheci também a Jasmim e a Eva, duas chinesas que moram no 2º. andar, visitamos juntos a praia da Barra ontem e foi novamente divertido. Eu não falo muito bem em inglês, mas estou aprendendo a me comunicar com elas quando o português não é suficiente.

As aulas começam amanhã e às 9h da manhã até às 11h tenho aula de Linguística Textual e das 16h às 18h terei Espanhol III. Estou feliz e um pouco ansioso para conhecer como será a rotina da universidade e as aulas. A Universidade é muito grande, há muitos cafés e restaurantes por toda a universidade, parece que cada departamento há o seu.

Conheci mais Aveiro esses dias e descobri mais um caminho para voltar pra casa, já é mais difícil eu me perder. 

Quando converso com os chineses eu falo mais devagar o português e estou aprendendo algumas palavras novas. É divertido caminhar e conversar com eles, pois quando estamos em dúvida do que falamos rimos alto e em seguida falamos: What? I don’t understand. Sei que é a hora de falar ainda mais devagar e buscar outras palavras para ser entendido, os gestos são inevitáveis, gesticulo, aponto e nos entendemos com um: OK! Yeah! Hahaha... É engraçado.

Aqui anoitece por volta das 20h, as roupas demoram a secar, pois a noite o tempo fica mais úmido e cai um garoa bem fina. Tudo é uma descoberta e isso é motivante. Ao conversar com meus novos amigos eu desconstruo ideias preconcebidas e isso é muito interessante. Há uma troca de ideias muito edificante.

Amanhã começam as aulas e escreverei como será essa nova semana.


Até logo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Era o penúltimo dia de agosto, perguntei a Júlia se ela gostaria de visitar Coimbra. Ela aceitou e fomos. Partimos sob um céu azul e um d...

Era o penúltimo dia de agosto, perguntei a Júlia se ela gostaria de visitar Coimbra. Ela aceitou e fomos. Partimos sob um céu azul e um dia mais quente que o anterior. Diferente de Porto, tomamos a direção oposta na linha do comboio.

Mais uma vez vi muitas plantações de milho e extensos terrenos vazios. Próxima paragem... Oiã, Oliveira do Bairro... tão bom estar no comboio, seria melhor se pudéssemos abrir as janelas, sentir o ar fresco no rosto enquanto me imaginasse voando. 

Essa viagem foi mais habitual, pois já estou me acostumando à paisagem e pudemos conversar mais. Fui repreendido que na viagem anterior eu só ficava anotando no caderninho e não interagia, portanto essa viagem foi mais comunicativa, demos risada, falamos sobre os vídeos engraçados da Porta dos Fundos. São interessantes os nomes das paragens, Mogofones, Curia, Mealhada. Assim como Porto, Coimbra tem duas estações, Coimbra B que vem antes e Coimbra onde descemos.

A estação de Coimbra é pequena, só havia dois trilhos. Chegamos famintos e fomos buscar um lugar para almoçar, encontramos em um beco de pedras e casas altas um restaurante que oferecia um almoço por 6 euros. O serenata é o nome do restaurante, próximo a estação. Ali tivemos um almoço tranquilo por um preço acessível. Sopa e pão, carne ou peixe, vinho ou sumo, e para finalizar um café, ficamos aí. Um lugar aconchegante, com parede de pedras e pratos decorativos, uma janela e uma porta de madeira bonita e um senhor simpático nos veio atender.

Fomos visitar à Universidade de Coimbra e descobrimos que há pacotes turísticos de visita a escolher, ou seja, você é apresentado a alguns pacotes e escolhe o que quer visitar, paga um valor estipulado e vai conhecer. Escolhemos visitar o Paço das Escolas, que incluía Capela de S. Miguel e a Biblioteca Joanina, e subimos na torre, esse pacote custa 10 euros.

O Paço das escolas erguido no final do século X foi em tempos o Paço Real da Alcáçova (residência fortificada ou cidadela construída num dos pontos culminantes da colina), carregado de simbolismo pela presença do poder político, passa também a simbolizar o poder da cultura e do conhecimento. Esse é um pátio muito grande onde está a Estátua de D. João III.

É quase impossível escrever superficialmente em uma só postagem tantas coisas interessantes que a Universidade pode proporcionar. O que ajuda muito é um guia informativo sobre a Universidade, que depois você fica de boca aberta com tanta história.

A Biblioteca Joanina, inicialmente “Casa da Livraria”, a sua construção foi iniciada em 1717, sob encomenda do rei D. João V (daí a sua designação “joanina”).  Só para falar uma coisa, dessa imensidão de informação, menciono os tetos da biblioteca, que são 3. Teto 1 (entrada), teto 2 (central) e teto 3 (junto ao quadro), cada um com suas particularidades, são belíssimos.

A Torre edificada entre 1728 e 1733, foi projetada pelo arquiteto romano António Cannevari para substituir a anterior seiscentista (João de Ruão, 1561). A torre aloja os sinos que regulam o funcionamento ritual da Universidade, sendo o mais conhecido “a Cabra”.

Por fim, há a Sala do Exame Privado, Órgão da Capela, Portal Manuelino da Capela de S. Miguel, a Insígnia da Universidade, Via latina e muitas outras atrações que deslumbram os olhos e você se perde em meio a tanta informação, dá vontade de ver tudo e saber de tudo, mas o tempo é curto.

Conhecemos a faculdade de letras, uma escadaria nos leva até a recepção que ao entrar, do lado direito há uma pintura gigantesca, mas nada para visitar, além disso, ao menos foi o que nos informou a senhora que estava ali, na recepção.

Depois dessa visita voltamos para a estação de comboio e em seguida para a casa, cansados e satisfeitos com esse dia tão cheio de descobertas.



Segue o link das fotos em Coimbra.

Vídeo 1: Indo à Universidade de Coimbra, subindo o Morro.

Vídeo 2: Continua subindo – Rio Mondego que banha a cidade de Coimbra.

Vídeo 3: Explicando o caminho, a ladeira e a facada.

Vídeo 4: Na Universidade de Coimbra, vista de cima.

Vídeo 5: Um giro no Paço das Escolas

Olá Pessoal. Vou contar hoje como foi conhecer a segunda maior cidade de Portugal – Porto.  Muitas pessoas com quem eu converso ach...


Olá Pessoal.

Vou contar hoje como foi conhecer a segunda maior cidade de Portugal – Porto.  Muitas pessoas com quem eu converso acham Porto uma das mais lindas cidades portuguesas.

Era uma manhã nebulosa, assim que acordei percebi que os planos de conhecer a praia naufragaram, o clima estava frio, mas não muito, o céu estava cinza.
Decidimos ir a Porto, fomos até a estação e enquanto esperávamos o comboio comemos ovos moles. Essa sobremesa tem um gosto, obviamente, de ovo e é muito doce, em minha opinião. Como é um doce típico é muito famoso por aqui e se encontra fácil.

No comboio, ao meu lado, havia um grupo falando em inglês, na minha frente um senhor de chapéu branco e fones de ouvido falava espanhol, atrás ouvi um sotaque português que vinha de uma conversa de quatro amigas, estávamos a caminho do Porto – São Bento.

Aqui há duas estações quando se vai a Porto, primeiro se para em Porto – Campanha, que é a estação internacional, que se usa para ir a outros países, como à Espanha, e em seguida Porto – São Bento, que fora o nosso destino esse dia. A viagem foi bem tranquila, cada estação é comum o entra e sai de pessoas. Durante a viagem pude observar, através do vidro embaçado do comboio, casas e jardins muito bem cuidados, outros nem tanto, havia muita casas decoradas com azulejos, uma vegetação presente e algumas fachadas pintadas. Também percebi que é corriqueiro plantarem milho que se alterna entre uma propriedade e outra. Aqui podem pegar um comboio com a sua bicicleta e com animais. É comum entrar em um comboio e sentar ao lado de um ciclista, com aquelas roupas bem característica, de mochila, óculos e capacete e com pessoas e seus cachorros. As árvores no caminho são menos regulares, algumas parecem eucaliptos, outras carvalho ou pinheiros.

Quando você viaja em comboio compra a sua passagem no guichê, vai à plataforma e a valida em umas máquinas amarelas ao entrar no trem, durante a viagem há um senhor que fiscaliza, de um por um, ele pede o seu ticket, sua passagem, e passa na maquininha dele, parecem aquelas de cartão de crédito, assim ele a confere se está validado, a entrega e segue o seu caminho.

As estações por onde passei me fizeram recordar as viagens de trem que fiz na infância, o mesmo sentimento, o barulho, e a paisagem me fez feliz em uma conquista tão simples.

A névoa que caia pela manhã ainda se mantinha e através do vidro da janela podia ver que a estação se cobria com um manto branco, o cenário se alternava com árvores próximas, jardins, casa de dois andares de azulejos, igrejinhas de pedras, pinheiros.

Aqui não se fala parada e sim paragem. É comum ouvir: Próxima paragem: Valadares, pois não ouvirá: Próxima parada: Valadares. Soa diferente aos meus ouvidos, mas essa e outras palavras serão incorporadas cotidianamente no meu vocabulário. 

Enquanto conversava com a Júlia ou dava uns “cochilinhos” rápidos fui tocado por uns raios de sol que conseguiram romper as grossas nuvens, atingiu a janela e me fez um presente. E ao entrar em uma nova estação já não havia mais a névoa. Chegamos a Gaia as 13h09, uma estação amarela com pedras cinza simples e pacata, próxima paragem: General Torres.

Às vezes me surpreendo, deixo de observar, o amontado de casas para conversar algo e perco o deslumbrante cenário que me passa tão rápido sem eu o perceber. Eu estou gostando tanto de viajar de comboio, pode soar estranho isso, mas vejo a sombra da caneta deslizar sobre o papel branco e tento captar algo que está acontecendo aqui para que vocês possam aí, ter a noção do que está acontecendo, é outra realidade, é muito bonito. Podemos observar uma paisagem magnífica, de uma ponte gigante, um rio grande, uma areia e barracas. Ao redor muitas árvores e eu em alta velocidade apenas contemplo. Próxima paragem: Porto – São Bento, lá fora, marcava o termômetro, 26 graus e por volta das 13h18.

Temos 4 horas de diferença com o horário de Brasília, ou seja, quando aqui são 10h da manhã, no Brasil ainda são 6h. Ainda não me adaptei certinho com o horário, vou dormir tarde, acordo durante a noite e tenho dificuldade de acordar pela manhã, mas aos poucos vou me acostumando.

Chegamos a Porto, uma estação gigante, me faz lembrar a estação da Luz em São Paulo, pois é a minha referência, há pessoas que podem dizer que não tem nada a ver.

Acredito que as fotos farão da cidade ainda mais bonita, Porto tem uma praia linda, com pedras ao redor, pessoas dispostas e alegres, uma estação belíssima e muitas e muitas coisas lindas, como a arquitetura, as ruas, os trenzinhos, as fontes, os castelos de pedras e as atrações artísticas de graça.

Observem as fotos e viagem nesses cenários tão lindos da cidade de Porto.

Até logo.

Segue o link das fotos em Porto.

Vídeo 1: A estação de Porto – São Bento. Doro e Minho são os rios, veja escrito no teto da estação.

Vídeo 2: Na Ribeira 2.

Vídeo 3: Na Ribeira 3.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

           Hoje completa uma semana que estou em Aveiro e embora pareça pouco tempo, aconteceram muitas coisas. Muitas descobertas, olhar...

          Hoje completa uma semana que estou em Aveiro e embora pareça pouco tempo, aconteceram muitas coisas. Muitas descobertas, olhares atentos, observações interessantes. Saí de Campinas na tarde de domingo do dia 21 de agosto e cheguei à Lisboa na manhã do dia 22, um aeroporto grandioso e uma fila da imigração gigantesca. Ao contrário do que poderia parecer aquela fila, longe de me chatear, me deixou deslumbrado. 
Toda aquela gente falando idiomas diferentes bem perto de mim foi uma rica experiência. Passei pela fila da imigração sem nenhuma pergunta pelo oficial da polícia local. Bom dia, ele me disse em um tom profissional, o mostrei o meu passaporte, ele revisou no seu sistema, me devolveu e eu parti. Caminhei um longo percurso e busquei a minha mala, com minha mochila, minha mala de mão e mala de rodinha, parti para a saída do aeroporto. O sol estava lá como me dizendo, seja bem-vindo a Portugal, a sua nova casa. 
Busquei informações sobre como devia chegar à rodoviária, comprei um chip local e tomei um ônibus – autocarro, como dizem aqui. Foram os primeiros euros gastos depois da passagem: 10 pelo chip e 3,50 euros pelo bilhete até a rodoviária. Chegando lá, comprei uma passagem para Aveiro, esperei uma hora e meia até o autocarro chegar à plataforma (mais um nome diferente – linha) e tomei minha viatura – não fui preso, esse é só outro nome para o ônibus. Foi uma viagem de três horas e meia em um banco de couro, com a comodidade do ar-condicionado e wi-fi.
Cheguei em Aveiro por volta das 14h, a Júlia estava me esperando e fomos até a Universidade para pegar a chave do alojamento. A caminhada pareceu longa, pois eu estava cansado da viagem, carregava as malas e subia e descia as ruas de pedra. A paisagem ainda a ser descoberta compensava o desconforto. Foi lindo, o céu azul, o sol forte, o vento frio que mantinha a temperatura agradável não deixando que eu sentisse muito calor. 
Fui à reitoria e um recepcionista muito atencioso me atendeu. Ele me entregou a chave e buscou o endereço no Google para me mostrar onde eu iria morar. Fiz minha primeira ligação com os créditos do chip local e chamei facilmente um táxi. O automóvel chegou à reitoria e sem dificuldades chegamos ao alojamento, distante 20 minutos a pé da Universidade e cinco minutos de carro.
Subi, deixei as malas, e fomos almoçar. Estava faminto e deslumbrado, Aveiro é linda, uma cidade cortada por canais, com moliceiros, nome que se dá ao barco e a quem o conduz, por toda a parte turística. Moro agora no final da ria, do canal. Há um parque em que as pessoas jogam futebol e basquete, há um hotel grande e uma fábrica de cerâmica, além de um supermercado. A vista é adorável, com árvores frondosas e ar refrescante.
Comemos em um restaurante próximo à praça do peixe, ao lado da biblioteca municipal. A praça é um lugar cheio de vielas que convergem para um espaço gigante que abrange o mercado do peixe, um restaurante chique acima e embaixo, nos finais de semana, uma feira de antiguidades. Pedimos um bacalhau e um lombo, meia porção de cada ou como dizem por aqui, meia dose. Experimentei o bacalhau da Júlia e comi o meu porco. Saímos do restaurante e fomos pra casa.
Nesse dia encontrei uma amiga minha, havíamos combinado de nos encontrar em Aveiro no dia 22. Ela aceitou um convite para jantar em minha nova casa. Voltei ao alojamento, fiz uma listinha de compras e fui ao Pingo Doce, o supermercado mais próximo. Comprei macarrão, tomates, temperos, um vinho e parti para casa, enquanto eles chegavam, a Luiza e seu namorado Miguel. 
O vinho aqui é muito barato, algo entre 1 a 5 euros a garrafa, logicamente eu comprei o de um euro e fiquei muito feliz por isso. Fiz o macarrão enquanto tomávamos vinho. Os convidados chegaram, foi uma festa. Fazia anos que eu não a via e foi muito divertido, ela me apresentou o Miguel, que é português e mora em Porto, uma hora de trem de Aveiro. Começamos a conversar enquanto eu cozinhava. Comemos todo o macarrão e terminamos as garrafas de vinhos – eles também trouxeram as suas. Jantamos eu, Júlia, Luiza, Miguel e o Leonardo (que agora já chamo pelo apelido Léo) – outro estudante brasileiro, que irá cursar Oceanografia, Ciências do mar aqui, com quem divido o quarto.
A Luiza e o Miguel foram para o hostel onde estavam instalados, a Júlia partiu com eles para o alojamento dela, que fica dentro da Universidade, e eu fui dormir. Terminou o meu primeiro dia em Aveiro. Foi um dia incrível.
Eu estou muito feliz de estar aqui e poder contar essa história para vocês. As aulas ainda não começaram. Ainda bem, porque isso me deu oportunidade de explorar Aveiro. Já sei como chegar à universidade a pé, como pegar emprestada uma bicicleta se precisar ir mais rápido, conheço os dois shoppings, o arredor de casa, a estação de trem (comboio, outra palavra nova) experimentei ovos moles, um doce típico de Aveiro. Aprendi também como os portugueses falam outros termos, legal, por exemplo, é “fixe”, bonito é “giro”, e se você quiser perguntar se alguém entendeu algo, opte pelo verbo “perceber”.
Fui a Porto, mas vou deixar essa história para outra postagem.  Deixo registradas nesse primeiro post, direto de Portugal, as impressões superficiais da primeira semana. Espero que tenham gostado e viajado nessa história. 
Até logo.

Segue o link das fotos que eu tirei durante essa semana.


Vídeo 1 = Apresentando a Universidade de Aveiro (UA) em 11 segundos.

Vídeo 2 = Passeio de bicicleta pela UA.

Vídeo 3 = Término do passeio de bicicleta pela UA.