quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Olá, pessoal. Essa postagem é para mostrar a vocês o meu "Estudos Orientados" desse semestre. Foram algumas semanas de leitur...

Olá, pessoal.

Essa postagem é para mostrar a vocês o meu "Estudos Orientados" desse semestre. Foram algumas semanas de leitura, escrita, revisões e por fim, terminou! Eu gostei muito de fazê-lo e foi mais um prazer que uma obrigação, aprendi muitas coisas legais, embora um pouco grande, espero que vocês gostem de lê-lo. 




Educação Literária: a leitura literária como elo estruturante no desenvolvimento das competências leitoras em jovens brasileiros

Angelo Ribeiro
Universidade de Aveiro
Orientadora: Ana Margarida Ramos.

Resumo: Pretende-se, neste estudo, refletir sobre a Educação Literária e os componentes estruturantes promovedores desse domínio essencial para a formação de leitores. A realidade escolar brasileira nos faz questionar se estamos atuando, de fato, nessa formação. Pesquisas realizadas nessa área demonstram que o ensino no Brasil ainda carece de ações promovedoras de competências linguístico-comunicativas a fim de avançar para uma competência literária. Este artigo usa a última pesquisa de 2016, realizada pelo Indicador de Alfabetismo Funcional – INAF –[i] por ser a mais recente e os seus contributos estarem em concernência com os objetivos proposto para o texto. A pesquisa[ii] revela dados importantes como: 27% da população investigada ainda é analfabeta funcional e 73% estão classificadas como alfabetizadas funcionalmente revelando uma manutenção de resultados obtidos em 2011 pelo INAF Brasil. Cabe aqui refletir sobre mecanismos de ações que possam promover a formação de leitores em busca de uma evolução apoiados na educação literária.

Palavras-chaves: Literatura; Leitura; Ensino; Escola; Educação literária; Analfabetismo.

      1.       Introdução.

Por que educação literária e não decodificação textual?

A Educação literária vai além da simples decodificação textual. A leitura na superficialidade do texto busca respostas interpretativas passíveis de um grifo enquanto a Educação Literária garante uma completa formação leitora, uma vez que “[...] a educação literária tem como objetivo central a formação de leitores capazes de interagir de forma eficaz e produtiva com o texto literário, ativando eficientemente as múltiplas possibilidades de leitura que o enformam. ”[iii]

De acordo com o estudo de 2016, INDICADOR DE ALFABETISMO FUNCIONAL – INAF:

27% das pessoas foram classificadas como analfabetas funcionais, sendo apenas 4% correspondente ao grupo de pessoas consideradas analfabetas, já que não conseguem realizar tarefas simples que envolvam leitura de palavras e frases.  Do mesmo modo, a quantidade de pessoas classificadas como alfabetizadas funcionalmente alcança 73% da população investigada, o que também revela a manutenção do resultado obtido em 2011 no Inaf Brasil.

Esses dados revelam a importância de uma educação literária a fim de proporcionar aos jovens brasileiros uma formação mais completa avançando da simples decodificação para o desenvolvimento leitor que a educação literária pode proporcionar. Em um texto intitulado A leitura literária, Rui Veloso se propõe a elucidar a prática da Leitura Literária como fio condutor que desenvolve a imaginação e o pensamento divergente.

                O autor reflete sobre as estratégias didáticas que, por meio da literatura, possam trazer às crianças a compreensão e o desenvolvimento de competências comunicativas e reflexivas, assim como também o amor à literatura. Veloso retoma o processo de aprendizagem da leitura na escola básica a fim de contextualizar o cenário que suportará a sua crítica a práticas “altamente discutíveis, assumidas por professores enfeudados aos manuais escolares...”. O autor também reflete sobre a ideia de leitura, “confundida com a mera oralização” em que se formavam indivíduos deficientes de literacia. A grande importância do incentivo da leitura não está apenas ligada a sua decodificação e interpretação, mas também à valorização do livro para que por meio dele se possa desenvolver a sensibilidade e a fruição literária. A função da leitura, não está apenas ligada à função utilitária, mas também por ser fator de socialização e de reconhecimento social.

                Seguindo esse mesmo raciocínio a ideia de ler é definida claramente por Teresa Colomer[iv]: “Ensinar a ler não é ensinar a decifrar, mas ensinar a compreender o que se lê.”[v] (tradução livre). Com base nessa afirmação cabe a reflexão: a escola reconhece essa prática? E se as reconhece qual o motivo de estarmos estagnados em um processo de alfabetização funcional? A sensação de que na escola essa prática é deturpada ou não reconhecida é pertinente. Não seria atual e corriqueira a interpretação de texto, sendo ele literário ou não, requerer dos alunos apenas a decodificação superficial? O problema está na formação de professores ou na capacidade de desenvolvimento do trabalho com os alunos?

                De acordo com Colomer (2001): a velocidade, a inferência, o autocontrole, a compreensão são competências desenvolvidas majoritariamente a partir do texto ficcional, principalmente porque é a única leitura em que os alunos estarão dispostos a conhecer a sua finalidade. Essa afirmação é muito pertinente, pois pensamos que uma história é sempre uma história e não um manual de regras a serem seguidas, a leitura de um conto, romance ou poesia nos atrai pelo seu conteúdo, pela nossa capacidade de fazer previsões de possíveis caminhos na condução do texto. Tal possibilidade nos ajuda a avançar no desenvolvimento da prática leitora, pois a educação literária busca formar leitores competentes objetivando não somente a decodificação do texto escrito, seu contexto histórico e sua forma, mas também a apropriação dele. Podemos permitir um diálogo entre o texto e seu leitor na busca da ampliação de entendimento e apropriação de significado, na valorização de opiniões e na fundamentação de sua própria teoria. “[....] la educación literaria es fundamental para la formación de lectores competentes, y la experiencia de leer es una especie de derecho que hay que proporcionar a todos.”. (COLOMER, 2001).

      2.       Reflexão

                Onde e como promover a educação literária? Quem são os responsáveis?

A promoção da educação literária ocorre na escola por meio dos processos de ensinoaprendizagem a partir do contato com o texto literário apoiado pela estrutura escolar e familiar.

“[...] a educação literária se desenvolve a partir do contacto, precoce e assíduo, com obras e autores de referência que, pela sua qualidade, estimulam a atenção, a reflexão, a sensibilidade e o gosto dos leitores. ” (RAMOS, 2013, p. 54)
 “[...] A escola é também o contexto para a sistematização / formalização do conhecimento sobre o funcionamento do universo literário, para a reflexão sobre a ficcionalidade e a literariedade propondo esquemas mentais que organizem a compreensão explícita deste complexo sistema.” (RAMOS, 2013, p. 55).

Com o objetivo de operacionalizar essa teoria podemos iniciar a leitura de um texto literário integral com os alunos, no que caracteriza a leitura mediada. Em seguida, solicitar a leitura do mesmo texto de forma individualizada, o que conferiria uma leitura autônoma. Após essas duas leituras conversar sobre o texto buscando a princípio uma decodificação superficial, esclarecendo dúvidas em relação ao léxico, expressões idiomáticas ou regionalismos, por exemplo. E, por fim, solicitar o exercício da escrita apoiados em uma reflexão pessoal sobre o texto, um modo de ativar a capacidade leitora. Essas instruções iniciais poderão suportar o contato do aluno com o texto, tendo ao menos duas leituras, a mediada e a autônoma e esclarecendo dúvidas. O próximo passo para uma compreensão mais expandida passa pela escrita que irá atrair a atenção para o que já foi lido e permitir uma reflexão condicionada às vivências individuais dos alunos.

Esse exercício tem por objetivo verificar se o aluno conseguiu atingir ao menos a decodificação do texto para analisar o que o impede de construir a análise de sentido e intertextualidade, além de verificar se lhe faltam competências de escrita ou oral para adquiri-la.
Com essa sistematização, busca-se conhecer os fatores de indisposição em relação ao texto e buscar a leitura mais adequada a esse cenário. Esses passos seriam uma sugestão na qual se baseia o mapeamento e o preparo da leitura, ou seja, conhecer o nível leitor da turma com o fim de selecionar as obras adequadas para uma melhor compreensão.

O processo de leitura literária consiste na apropriação pessoal do sentido do texto, assim como também a capacidade de mobilizar competências de índole intertextual e extratextual. A leitura reflexiva, crítica e questionadora tem que ser diagnosticada por meio de ações escritas e orais a fim de promover a educação literária. O professor tem que estar apto a identifica-las em busca dessa promoção. O aluno tem que conhecer suas dificuldades e a comunidade escolar, junto à família, deve trabalhar nessa mobilização.

Cabe ao professor indicar as inúmeras possibilidades que a literatura proporciona e refletir que é possível ler, desmistificando a ideia de algo monótono e enfadonho. Cabe também reconhecer em seus alunos as aptidões de leitura e, em parceria com eles, construir um caminho que promova a educação literária. Fazer com que os alunos percebam a capacidade de ultrapassar fronteiras físicas e temporais com o ato da leitura. É pertinente dizer que a formação do professor é muito relevante, o professor precisa ser um exemplo vivo, materializado de que a leitura e a literatura são fontes transformadoras. E só se consegue isso com uma bagagem de leitura e uma formação eficaz. São plausíveis as indagações sobre como é possível fazer isso dada à estrutura social e profissional dos professores atualmente, seus baixos salários e o pouco tempo que têm para preparar e dar aulas. Mas há de se começar por algum lado a caminhada, não se pode esperar uma mudança de alguém ou um sistema para depois intencionar a realização da mudança diária. Tentar buscar, por meio da educação literária, a apresentação de outras realidades, dando oportunidades de reflexão dos atuais estereótipos sociais descritos e cultuados. 

Conforme os pensamentos de Ramos e Colomer (2013) a prática da leitura pode promover a expansão de ideias e o conhecimento de novos hábitos antes nem imaginados pelo leitor, dar aos alunos essa possibilidade é plantar neles a semente do pensamento crítico possibilitando agir e raciocinar perante a sua situação social e a compreensão de mundo em que ele é capaz de olhar. É oferecer caminhos de fundamentação pensante antes não conhecidos, oferecer a possibilidade de abandonar a capa de mediocridade que aprisiona perante os assuntos comuns. É reconhecer no texto literário a possibilidade de vislumbrar outra realidade e não a mais vulgar que é a bipolarização, entre certo ou errado, claro ou escuro.

Por que a escola é importante na educação literária?

“A escola é a que melhor pode oferecer aos novos as possibilidades de contato com os livros e por isso é preciso dar-lhe dignidade à leitura realizada e recomendada nela” (RECHOU, 2013, p. 14).
“A escola tem um papel prioritário e uma responsabilidade determinante na educação literária (ainda que coadjuvada por outras instituições relevantes, como a família)...” (RAMOS, 2013, p. 54).

O que o texto literário pode proporcionar ao leitor?

O texto literário pode trazer diversas possibilidades ao leitor, dentre elas: despertar identificações emocionais, projeções psicológicas no diálogo leitor e escritor, promover indagações, discordar de discursos estereotipados, criar manifestações autênticas, consolar e crescer. “De facto, o ato de ler, longe de ser mecânico, é uma operação que implica a pessoa no seu todo: inteligência e vontade, fantasia e sentimentos, passado e presente.” (RAMOS, 2013), tal fato é capaz de preencher vazios criados pelo escritor solicitando-os a participar do ato criativo. Tem que se trabalhar o texto literário não apenas como forma educativa, encarada como um trabalho, mas também como forma de fruição. Visto os benefícios do texto literário não se pode limitar-se à função restritiva de caráter educativo, pois a sua possibilidade é imensa. Não se pode usar um texto de maneira hermética somente com o intuito de ler e escrever.

3.       Considerações finais

Este estudo orientado permitiu conhecer mais sobre a educação literária e a capacidade revolucionária e transformadora da educação literária sobre uma sociedade composta por cidadãos leitores. É certo que o Brasil ainda carece de um desenvolvimento baseado na educação literária em meio ao seu cotidiano escolar. É visto que os próprios alunos iniciantes do curso de Letras, uma realidade por mim vivida, não conhecem os programas de incentivo à leitura de seu município e não apresentam conhecimento de um cânone literário básico. Compete-nos reconhecer essa realidade e buscar um desenvolvimento coletivo aliado às práticas educativas, unindo a competência universitária e a comunidade escolar. Longe de apresentar um plano inovador e heroico este trabalho apresentou uma reflexão, restrita e limitada, não muito exaustiva acerca da educação literária tendo como base os textos, referenciados na bibliografia, sugeridos pela orientadora. Reservo a este trabalho a perspectiva de um jovem estudante que inicia sua formação docente.

Muitas perguntas estão e continuarão à minha mente, pois assim como a literatura a minha mente não apresenta fronteiras, o conhecimento é construído a partir de várias visões de mundo para que se forme uma teoria individual indicando uma melhor vivência humana. Aprendi que a educação literária permite que o leitor consiga atribuir sentido ao texto tendo por base suas experiências intrínsecas. Cabe ao mediador de leitura, pais, professores, amigos ser a ponte entre o livro e o leitor iniciante e abrir a porta a inúmeras possibilidades. É o mediador que convida, sugere, observa e propõe uma nova realidade a ser descoberta. Os obstáculos que o leitor enfrenta em âmbito social ou pessoal são processos naturais que o mediador de leitura deve reconhecer ao realizar o convite, essa integração pode contribuir de maneira efetiva para um bem-estar social.

Não sou um leitor assíduo e reconheço que preciso praticar mais o exercício da leitura. Imagino que há muitos na mesma situação.  A relação de estar sozinho frente a um texto desconhecido, às vezes, é desmotivadora, se comigo há mãos cuidadosas e olhares atentos a me direcionar e dizer que consigo, é mais fácil estabelecer uma apropriação leitora. É essa oportunidade que devemos oferecer aos nossos alunos, essa sensação de que o professor estará junto nesse processo.

A leitura é um exercício de esforço e comprometimento. Deve-se esclarecer ao estudante que a leitura pode ser prazerosa, desde que haja uma identificação com o texto. Como conseguir tal identificação? Oferecendo possibilidades de leitura. A cada nova leitura o aluno se sentirá mais capaz de buscar novos desafios, adquiria uma nova percepção e ampliará a sua capacidade de atribuição de sentido. Será possível conhecer as diferentes formas de comportamentos sociais, do passado e do presente, proporcionando uma inter-relação. Por ser a leitura uma capacidade que se desenvolve com a prática, temos que exercitá-la com o intuito de melhorar a cada texto.

Ou seja, cada texto se mostrará de forma diferente ao leitor, e de maneira progressiva, pois a leitura compete a olhos atentos que refletem a vivência experimental do indivíduo. Querer que adotemos uma ideia exata e uma conclusão homogênea é aprisionar a literatura no campo das teorias. A escola é o lugar onde podemos conseguir esse primeiro contato, conhecer os diversos gêneros e tipos textuais, é nosso dever apresentar possibilidades e não limitar a compreensão em estatutos convencionais.

Para ir ao encontro dessas necessidades deve-se seguir um plano didático e conhecer as amplitudes que esse plano pode oferecer aos alunos. É respeitável instruir e conduzir, é louvável aceitar e estimular à multiplicidade de pensamentos, deixando claro o que compete à teoria e possibilitando a liberdade na atribuição de sentido.

Cabe ao professor fazer o melhor convite, ser o mensageiro que traz as melhores histórias, aquelas adequadas aos diferentes leitores com que esteja promovendo laços na vida escolar. Para isso, os docentes também precisam ler mais, para fazer inferências, buscar na intertextualidade e na fala dos alunos às leituras conjuntas que serão lugares acessíveis de promoção de novas leituras.

Se a leitura condiciona o indivíduo a uma nova visão de mundo, constrói e desenvolve seu pensamento crítico será por meio dela que se formarão cidadãos mais atuantes e competentes. A leitura promove o crescimento pessoal dos alunos, seu envolvimento com a comunidade através de uma visão analítica. Assim podemos esperar alunos propagadores dessa transformação social, contribuindo para o seu desenvolvimento e gerando uma sociedade mais igualitária.



[i] O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) é uma pesquisa idealizada em parceria entre o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa e realizado com o apoio do IBOPE Inteligência com o objetivo de mensurar o nível de alfabetismo da população brasileira entre 15 e 64 anos, avaliando suas habilidades e práticas de leitura, de escrita e de matemática aplicadas ao cotidiano. Disponível em: < http://www.ipm.org.br/pt-br/programas/inaf/Paginas/default.aspx>

[ii] Este estudo especial é fruto de mais de três anos de trabalho das equipes de profissionais da Ação Educativa e do Instituto Paulo Montenegro de análise e reflexão sobre a metodologia e os resultados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). Disponível em: <http://www.ipm.org.br/pt-br/programas/inaf/relatoriosinafbrasil/Paginas/Inaf-2015---Alfabetismo-no-Mundo-do-Trabalho.aspx>.

[iii] Educação Literária: o lugar da literatura no primeiro ciclo do Ensino Básico. Ana Margarida Ramos. Pág. 53.

[iv] La lectura de ficción enseña a leer – Teresa Colomer

[v] “ ‘enseñar a leer’ no es enseñar a descifrar, sino enseñar a comprender lo que se lee.”


Referencias bibliográficas

BARBOSA, Juliana Bertucci; BARBOSA, Marinalva Vieira (Org.). Leitura e Mediação: Reflexões sobre a formação do professor. Campinas: Mercado de Letras, 2013. 312 p. Disponível em: <http://www.mercado-de-letras.com.br/resumos/pdf-14-04-13-14-56-16.pdf>. Acesso em: 28 dez. 2016.

CEIA, Carlos. O poder da leitura literária: (contra as formas de impoder). 2008. Casa da Leitura. Disponível em: <http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/documentos/ot_leitliter_a.pdf>. Acesso em: 28 dez. 2016.

COLOMER, Teresa. La lectura de ficción enseña a leer. 2001. El Monitor de la Educación (Argentina). Año 2, Núm. 4. Disponível em: <http://servicios.educarm.es/templates/portal/ficheros/websDinamicas/154/leercomprender.pdf>. Acesso em: 28 dez. 2016.

RAMOS, Ana Margarida (Org.). Educação literária: o lugar da literatura no primeiro ciclo do Ensino Básico. In: MADALENA, Maria; SILVA, Marcos Carlos Teixeira da; GONZÁLEZ, Isabel Mociño. Literatura para a infância e a juventude e educação literária. Porto: Deriva, 2013. p. 52-70.

RECHOU, Blanca-ana Roig et al (Org.). Educación literaria, historia literaria e Literatura Infantil e Xuvenil. In: MADALENA, Maria; SILVA, Marcos Carlos Teixeira da; GONZÁLEZ, Isabel Mociño (Org.). Literatura para a infância e a juventude e educação literária. Porto: Deriva, 2013. p. 13-28.

VELOSO, Rui. A Leitura Literária. 2006. Originalmente publicado em: AA.VV., Educação e leitura – Actas do Seminário, Esposende, C.M.Esposende/ Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, 2006, pp. 23-29.. Disponível em: <http://www.casadaleitura.org/portalbeta/bo/abz_indices/000714_LL.pdf>. Acesso em: 28 dez. 2016.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Olá, pessoal. Soube hoje do falecimento do professor Bruno e imagino que vocês estão de luto, assim como a Universidade. Ele foi noss...

Olá, pessoal.

Soube hoje do falecimento do professor Bruno e imagino que vocês estão de luto, assim como a Universidade. Ele foi nosso professor o semestre passado e acredito que ainda esteja na memória de todos a sua paixão pela literatura e pelo ensino. Espero que Deus possa confortar a todos que sentem essa perda e em especial a sua família.

Hoje eu tive a última prova, Literatura Infantojuvenil. Foi uma prova que exigiu uma reflexão por parte de nós alunos. É natural se sentir inseguro quanto à avaliação, e eu me senti assim ao fazer essa prova. Ainda que eu acompanhe a maioria das aulas e tire dúvidas sempre fico com aquela sensação de: por que eu não escrevi mais? Por que não me lembrei disso ou daquilo na hora? Ah! Minha resposta está incompleta, será que a professora vai considerar? Acredito que essas indagações permeiam a mente de todos os estudantes ao fazer uma prova.

Foram cinco questões, uma de verdadeiro ou falso com dez afirmações para assinalar e quatro para refletir e discorrer sobre o assunto. Não foi surpresa o estilo da prova, mas me chamou atenção à maneira como foi preparada. Na primeira questão, a das afirmações, tratou-se de capturar o essencial do aprendizado. O que me deixou em dúvidas, pois sempre penso: É isso, mas não é só, então é verdadeiro ou falso? Também em outras eu pensava: isso é falso ou isso é verdadeiro, pois não dá para ser diferente. Espero que eu tenha me saído bem.

As demais questões, as de refletir e discorrer, ofereciam enxertos de textos que lemos. A última trouxe um conto na íntegra chamado: O veado florido do lisboeta, ou “alfacinha”, Antônio Torrado (1939). Conheci a obra desse autor por meio das aulas a respeito do texto dramático, encenado no teatro. De seus títulos, estudamos: A Raposa e o Corvo, O Trono do Rei Escamiro, Os 4 pés do Trono e o prefácio do livro: Teatro às três pancadas.

Aprendi que o texto dramático é diferente do teatro, pois o primeiro é complemento do segundo. O teatro é composto ainda por outros elementos, sendo o texto dramático apenas um deles. Um texto dramático tem didascália. Eu também não imaginava o que seria isso, mas aprendi que didascália refere-se às indicações do espaço, da luz, do cenário na representação teatral. Sobre esse tema a pergunta da prova era: “Dê conta, de forma breve, das principais tendências temáticas e formais do texto dramático para crianças publicado em Portugal nos últimos anos, refletindo sobre as razões que ajudam a explicar as dificuldades e os desafios que a sua abordagem em contexto de sala de aula colocam.” Quando eu li isso, pensei: - Meu Deus! E, em seguida, ouvi a professora dizer, faltam 20 minutos. Eu me desesperei, as minhas respostas estavam ainda todas no rascunho e faltava ainda ler o texto do “alfacinha” e também escrever.

A prova foi trabalhosa, mas muito interessante. Gostei muito do texto escolhido pela professora. Embora eu não escrevesse o quanto gostaria – estava tão nervoso – acredito que fiz o meu melhor. Creio que até o final da semana saberemos as notas. Também entregamos o trabalho e com isso fechamos a disciplina. 

A nossa nota, nessa matéria, é dividida em 25% para cada instrumento avaliativo. Temos a recensão crítica, o trabalho oral e escrito e a prova, compondo assim 100% da nota. Eu gostei dessa maneira de avaliação, pois não se concentra somente em um tipo avaliativo, mas temos diversos meios de alcançar à média. Ganha o professor, pois consegue avaliar de uma maneira mais completa e ganha o aluno pois consegue ficar menos tenso sabendo que 75% de sua nota já foi composta antes da prova.

Acredito ter mencionado em postagens anteriores que o meu estudo orientado é com a professora de Infantojuvenil e estou trabalhando com educação literária. Entreguei na semana passada a reflexão de dois textos e me faltam mais três. Nos comentários de minhas reflexões, a professora deixou um recado para que eu a lembrasse de me emprestar um livro para complementar minha leitura. Hoje, na hora da prova, ela me entregou o livro, e adivinhem? É um livro brasileiro. Leitura e Mediação – Reflexões sobre a Formação do professor, da professora Juliana Bertucci. O livro contém reflexões de várias pessoas, entre elas há docentes da UFTM: Professora Marinalva, Professora Fani, Professora Talita (Uberlândia), Professor Carlos, Professora Deolina, Professora Jauranice e Professora Maria Eunice. Eu achei isso o máximo!

A Universidade de Aveiro fará uma ceia natalina e convidou os alunos estrangeiros que não voltarão para suas casas. Sou voluntário na organização desse jantar e na sexta eu irei até lá para ajudar, a partir das 14h. Estou feliz por ajudar nesse evento, e participar do jantar. Percebo como são importantes ações como essas porque nos sentimos um pouco sozinhos nessa época do ano.

Bom pessoal, por hoje é só.

Um feliz natal e um próspero ano novo. Que 2017 seja um ano melhor para nós todos. Um grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Olá, pessoal. Essa semana é a última de aulas e provas. Na semana passada tive prova de Língua Portuguesa I e prova oral de Espanhol ...

Olá, pessoal.

Essa semana é a última de aulas e provas. Na semana passada tive prova de Língua Portuguesa I e prova oral de Espanhol III, hoje pela manhã tive prova de Linguística Textual e na quarta-feira terei de Literatura Infanto-juvenil.

As aulas de inglês terminaram com uma apresentação que fiz com uma colega de sala. Apresentamos um pouco sobre a nossa cultura, eu falei um pouco de mim, sobre o Brasil, a faculdade, Minas Gerais e São Paulo, comidas típicas e hobbies. Minha colega Nelsy falou sobre a Venezuela e os mesmos temas.

As aulas de ioga também chegaram ao fim e voltaremos em janeiro, sem uma data definida por enquanto, pois o lugar onde praticamos está em obras. Acredito que em meados de janeiro receberei um e-mail avisando.

Sobre as provas, são longas! As notas saem no moodle, aquela ferramenta sobre a qual já comentei em postagens anteriores. Nós estudantes entramos, consultamos e baixamos textos e conteúdos disponibilizados pelos professores.

A prova de Língua Portuguesa I foi pesada, eu fiz o meu resumo de oito páginas, estudando direitinho e tive a sensação que não sabia nada, por incrível que possa parecer caíram coisas que eu não consegui contemplar nas minhas folhas de resumo.

A prova de espanhol foi tranquila. Cheguei à sala e a professora estava sozinha me esperando. Entrei e ela pediu que eu sentasse. Perguntou se podia começar e eu disse que sim. Ela colocou um gravador na minha frente e disse: - Você diz o seu nome e pode começar pelo documentário. Foi uma sensação tensa, mas comecei a falar e deu tudo certo. Falei sobre o documentário, a estrutura e os depoimentos. Ela também perguntou a minha opinião e em seguida disse: - Bom, podemos então falar sobre o livro. E continuei falando, levei os meus apontamentos e fui direcionando a conversa para evitar repetições e tentar falar ao máximo do que eu recordava. Ela fez algumas interrupções, observações e encerrou a prova. Durou uns 20 minutos, mas pra mim foi tão rápido. Saí da sala e voltei para casa. Estou aguardando a nota, a professora disse que antes do natal a saberei.

Já a prova de hoje, Linguística Textual, foi tranquila. Nada de surpresa, conteúdo que eu estudei, conteúdo que estudei, mas não caíram, enfim no geral foi tranquilo. Eu só perguntei para a professora o significado de um provérbio que não conhecia. Ela, então, explicou para todos os brasileiros. Porque não dava mesmo para atribuir sentido para aquela frase, sério! Mas foi de boa. Vou deixar aqui o conteúdo, só para vocês terem uma noção. A prova tinha umas cinco folhas. Cada folha com espaço para responder e a última questão tinha uma folha só para ela, para escrever o quanto conseguisse.

6. Texto científico;
6.1. Aspetos gráficos
6.2. Aspetos sintáticos
6.3. Aspetos lexicais; as terminologias
6.4 - Catácreses e analogias científicas
7 - Texto publicitário; 7.1 - Aspetos semânticos; 7.2 - Aspetos lexicais
7.3 - Aspetos sintáticos; 7.4 - Aspetos fonológicos
7.5 - Aspetos gráficos; 7.6. - Intertextualidade; 7.7 - Variação
8. Texto parémico (provérbio)
9 - Texto humorístico; 
9.1 - Estratégias linguísticas do humor
9.2 - Humor e implicaturas

Bom, foi isso! Agora vou preparar o meu resumo para Literatura Infanto-juvenil. O nosso trabalho escrito está quase finalizado, entregaremos na próxima quarta-feira, no dia da prova.


Um abraço, até logo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Olá, pessoal. Estamos entrando na reta final do semestre e parece que é o momento mais estressante da faculdade, pois há muitas coi...


Olá, pessoal.

Estamos entrando na reta final do semestre e parece que é o momento mais estressante da faculdade, pois há muitas coisas por fazer: apresentações, trabalhos por concluir, resumos para preparar e provas para estudar.

Hoje eu tive uma apresentação de inglês às 18h. Na próxima quarta-feira às 15h30 tenho avaliação oral de espanhol, será sobre um documentário de aproximadamente uma hora chamado Del podio al olvido e também sobre a leitura do livro de 381 páginas da espanhola Matilde Asensi: Iacobus. Na sexta-feira tenho prova de Língua Portuguesa I e a quantidade de conteúdo é grande.

Por aqui faz um frio equilibrado, não é possível sair sem agasalho, mas não é um frio muito forte. As árvores perderam suas folhas, ainda que algumas persistam em seus galhos finos. Em Aveiro foi montada uma árvore de Natal grandiosa, eu li que é a maior árvore de Natal de Portugal, à beira da ria, ao lado do hotel Meliá.

Ontem enviei à minha professora parte dos meus estudos orientados, estou estudando educação literária e os textos são muito interessantes. Conheci a Literatura Infanto-juvenil pela disciplina que faço todas as manhãs de quarta-feira e estou gostando muito. Para mim, é uma das melhores disciplinas. Concluímos nesse final de semana o nosso trabalho escrito e agora iremos nos reunir: eu, a Júlia e o Giuliano, para revisar e fazer os ajustes necessários.

Gostaria de compartilhar com vocês um sentimento, imagino eu, comum a nós estudantes – às vezes pensamos que não vamos conseguir fazer tudo, ler tudo, tirar boas notas, mas não podemos desistir. Hoje eu estou um pouco desanimado, mas sei que é apenas uma fase, deve ser por essa toda carga de trabalho, uma saudade da família e dos amigos nessa época do ano, as leituras longas que fazemos e parece que não absorvemos nada. Mas sempre tenho uma visão otimista da vida e acredito que esse é o melhor caminho. Vai dar certo!

Bom, pessoal é isso!

Um abraço.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Olá, pessoal. Escrevo a vocês para contar como foi essa semana. Na última quinta-feira foi feriado, Primeiro de dezembro ou Dia da R...

Olá, pessoal.

Escrevo a vocês para contar como foi essa semana. Na última quinta-feira foi feriado, Primeiro de dezembro ou Dia da Restauração, em Portugal e como eu também não tenho aula na sexta-feira planejei duas viagens com alguns amigos.

Parti na tarde do dia 25 de novembro para Valência, Espanha. Foi uma viagem bem tranquila. Peguei o comboio em Aveiro e desci no aeroporto, esperamos o voo e chegamos, na mesma noite, na terceira cidade mais populosa da Espanha. Visitei as ruas movimentadas e passeei pelas vielas estreitas admirando a beleza do lugar. Fui até A Cidade das Artes e das Ciências, um complexo arquitetônico e cultural da cidade. Um lugar gigante e muito bonito.

Cheguei a Paris, na França, na noite do dia 27 de novembro e encontrei uma cidade fria que me fez tirar da mala mais um agasalho. No aeroporto pegamos um comboio e fomos até a estação Charles de Gaulle – Étoile. Embora cansado, comemos um lanche próximo à estação, e resolvemos caminhar para aproveitar a noite. Todo tempo era pouco, pois a nossa estadia ali seria curta se comparado a todos os nossos planos de visita.


É notória a beleza desses lugares e a grandiosidade da arquitetura e dos monumentos. Tudo é muito grande, detalhado, cuidado. As pessoas andam rápido nas ruas e o trânsito, às vezes, é caótico. E ainda que as árvores gigantes possam bloquear um pouco a iluminação pública, por onde passei havia bastante luz.

Gostei muito de ir ao Museu da Língua, um lugar dedicado às línguas, à linguagem e à linguística. Você pode encontrar um mundo incrível nessa pequena casa, em uma esquina despretensiosa de Paris. Pode Também explorar a linguagem, os idiomas por meio de jogos interativos e pequenos vídeos. Todas as informações no museu estão em espanhol, chinês, inglês, francês, russo e esperanto. Ao contrário do Museu da Língua Portuguesa o Mundolíngua não é específico de um único idioma, é bem menor, mas não menos interessante e interativo.

É difícil escrever sobre tudo em detalhes, mas posso garantir que a cada visita, a cada caminhada pelas ruas parisienses eu cresci mais um pouco. Percebi como é diferente a cultura e a relação que os nativos têm com a sua língua. Quando estava em um café, me esforçava ao máximo por falar as poucas palavras que sei em francês e esse esforço era correspondido por um sorriso da pessoa que me atendia.  


O estereótipo de que os franceses não costumam ser muito corteses com quem não fala a língua é pertinente, mas as pessoas que me atenderam foram bem simpáticas. A paisagem e o clima também me chamaram a atenção, muito diferente do que estou acostumado. Pareciam paisagens de cartões postais. As folhas amarelas colorindo as gramas, o vento frio fazendo com que as mãos não saíssem dos bolsos do casaco, as pessoas com suas roupas pesadas e elegantes me deram uma felicidade que não posso descrever. 

Mas é preciso dizer que a realidade das ruas parisienses não é tão incrível assim. A desigualdade social é visível. Há mendigos e suas famílias nas calçadas, pedintes solicitando esmolas para aplacar a fome ou comprar um agasalho, metrô cheirando a urina e sendo abrigo para idosos, que dormem no chão. Isso é triste e real. Porém, apesar de ter visto essas cenas que me tocaram o coração, tive uma boa experiência nessa viagem e agora pude compartilhá-la com vocês. 

Bom, pessoal foi isso. Espero que tenham gostado. Até a próxima.
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